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CIG e ADENE debateram a integração da igualdade de género nas políticas energéticas
De que forma as desigualdades de género influenciam o acesso à energia? E como garantir que mulheres e homens participam e beneficiam de forma equitativa da transição energética? Estas foram algumas das questões que estiveram no centro do encontro «Energia e Igualdade de Género – Políticas para uma Transição Justa», promovido pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) e pela ADENE – Agência para a Energia, no dia 5 de novembro, em Lisboa.
Realizada na Sala de Âmbito Cultural do El Corte Inglés, a iniciativa reuniu representantes de entidades públicas, especialistas e organizações da sociedade civil para refletir sobre uma dimensão nem sempre evidente da transição energética: as desigualdades sociais e de género que podem influenciar o acesso aos recursos energéticos, a participação no setor e as oportunidades decorrentes da sua transformação.
A sessão de abertura contou com as intervenções de Carina Quaresma, presidente da CIG, e de Vasco Marques Pinto, coordenador de Sustentabilidade do El Corte Inglés, dando início a uma manhã dedicada à articulação entre sustentabilidade ambiental, justiça social e igualdade de género.
A relação entre energia, pobreza energética e género esteve em destaque na apresentação de Ana Margarida Vales, da ADENE, e Carla Bernardo, da CIG, intitulada «Energia, pobreza energética e género: dados e desafios emergentes». A intervenção trouxe para o debate a importância de compreender as diferentes condições de vulnerabilidade energética e de considerar a dimensão de género na identificação e resposta a estas situações.
Seguiu-se a apresentação «Representação de mulheres e homens no setor energético», conduzida por Tiago Marques, da ADENE, que permitiu abordar a participação de mulheres e homens num setor estratégico para o futuro económico e ambiental, colocando em perspetiva os desafios associados à igualdade de oportunidades.
Um dos momentos centrais do encontro foi a mesa-redonda «Planeamento de um futuro energético inclusivo», moderada por Marina Alves, da ADENE. O debate contou com a participação de Islene Façanha (ZERO), Luísa Schmidt (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), Maria João Melo (Helexia) e Susana Escária (Agência para o Clima), reunindo diferentes perspetivas sobre os desafios de conciliar sustentabilidade, justiça social e igualdade de género.
Após um momento dedicado a perguntas e respostas, o programa prosseguiu com a apresentação de boas práticas e casos de sucesso, dando a conhecer experiências e iniciativas desenvolvidas por diferentes entidades no âmbito da energia e da sustentabilidade. Esta sessão contou com os contributos de Cláudia Horta Ferreira, da ADENE, Carla Castelo, da Coopérnico – Cooperativa de Desenvolvimento Sustentável, R.L., Raquel Mendes, da EDP – Energias de Portugal, Ana Sousa, da iniciativa Mulheres na Energia, e Alice Khouri, da Women in ESG. A partilha destas experiências permitiu complementar a reflexão sobre os desafios do setor com exemplos de iniciativas e abordagens relacionadas com a sustentabilidade e a igualdade de género.
O encontro terminou com a intervenção de Nelson Lage, presidente da ADENE, que assegurou o encerramento de uma manhã marcada pela partilha de conhecimentos, experiências e diferentes perspetivas sobre o futuro do setor energético.
A transição energética levanta questões que vão além da produção e do consumo de energia. Compreender quem enfrenta maiores dificuldades no acesso a serviços energéticos essenciais, quem está representado nos setores profissionais ligados à energia e quem participa na definição das políticas públicas é fundamental para que esta transformação não reproduza ou aprofunde desigualdades existentes.
Ao promover este encontro, a CIG e a ADENE procuraram alargar a reflexão sobre a transição energética, destacando a necessidade de integrar a perspetiva de género no desenvolvimento de políticas e medidas que respondam às diferentes realidades da população.
















