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Inquérito europeu revela que uma em cada três mulheres na UE já sofreu violência de género
Portugal apresenta valores abaixo da média europeia, mas especialistas alertam para a influência dos padrões de denúncia e das normas sociais.
As conclusões do Inquérito sobre a violência de género na UE: evidência para políticas e práticas, publicado a 3 de março de 2026 pela Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA) e pelo Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE), confirmam que a violência contra as mulheres continua a ser um fenómeno generalizado na União Europeia, assumindo múltiplas formas — físicas, sexuais, psicológicas, económicas e digitais.
De acordo com o estudo, 30,7% das mulheres na UE sofreram, ao longo da vida, violência física e/ou sexual praticada por parceiro íntimo ou por outras pessoas. Em Portugal, a prevalência global é de 19,7%, um valor abaixo da média europeia, semelhante ao registado na Chéquia.
Diferenças de prevalência e o chamado “paradoxo nórdico”
O relatório sublinha que os países com níveis mais elevados de igualdade de género — como os países nórdicos — apresentam também taxas mais elevadas de prevalência reportada de violência contra as mulheres. Este fenómeno, conhecido como paradoxo nórdico, está associado a maior capacidade e disponibilidade das mulheres para reconhecer e divulgar situações de violência, bem como a normas sociais menos tolerantes à violência de género.
Por oposição, em países com níveis mais baixos de igualdade de género, as taxas de denúncia podem ser influenciadas por fatores culturais e sociais que dificultam o reconhecimento e a comunicação das situações de violência.
Violência sexual, psicológica e assédio no trabalho
No que respeita à violência sexual praticada por parceiro íntimo, 7,7% das mulheres na UE reportaram ter sido vítimas desta forma de violência, face a 3,4% em Portugal. Relativamente à violação, a prevalência média europeia é de 9,2%, enquanto em Portugal se situa nos 3,6%.
A violência psicológica por parte do parceiro íntimo afeta cerca de 29,9% das mulheres na UE, sendo que Portugal regista uma das prevalências mais baixas (3,4%).
O estudo analisa igualmente o assédio sexual no local de trabalho, indicando que 30,8% das mulheres na UE que já trabalharam experienciaram esta forma de violência ao longo da vida. Em Portugal, a prevalência reportada é de 12,3%, um dos valores mais baixos entre os Estados-Membros.
Violência na infância e padrões intergeracionais
O inquérito evidencia ainda a dimensão intergeracional da violência. 32,9% das mulheres na UE referem ter sido alvo de violência física e/ou psicológica por parte dos pais durante a infância. Em Portugal, essa proporção é de 17,6%. De igual modo, 19,2% das mulheres em Portugal afirmam ter assistido a episódios de violência entre os pais quando tinham menos de 15 anos.
A importância da interpretação dos dados
O Eurostat e as entidades responsáveis pelo estudo alertam que a interpretação dos resultados deve ter em conta os contextos sociais, culturais e institucionais de cada país, nomeadamente o grau de tolerância social à violência e a abertura para falar sobre experiências pessoais.
Se é vítima ou conhece alguém que seja, ligue 800 202 148 ou, envie SMS para o 3060. Em situação de emergência, contacte o 112.

















