Violência doméstica – Informações e apoio
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Dia do Pai | 19 de março
Celebra-se, a 19 de março, o Dia do Pai em Portugal. Para além, de toda a carga simbólica do dia, apela-nos (e reforça) para a paternidade positiva.
Este conceito tem evoluído com o tempo e, de uma paternidade mais distante, que muitas vezes representava mesmo uma demissão das suas atividades enquanto pai, cada vez mais se valoriza a participação deste em todas as tarefas que estão relacionadas com o desenvolvimento das crianças e jovens e que visam em última instância o bem-estar físico e psicológico destas, assim como, o desenvolvimento de competências que antes eram atribuídas apenas à mãe.
Este envolvimento e participação do pai contribui largamente para uma efetiva igualdade de género, até porque até há alguns anos se associava completamente a tarefa do cuidado às mães. Estes estereótipos de género que definem comportamentos, tarefas e características como masculinas ou femininas e que perpetuam nomeadamente, desigualdades de poder que, apesar das evoluções positivas, ainda necessitam de grande desconstrução social.
Estas construções sociais aprendidas desde a infância limitam as escolhas profissionais, influenciando as expectativas de vida, tendo impacto em áreas como o mercado de trabalho, a divisão de tarefas domésticas e as relações.
Estes estereótipos de género aprendidos desde a infância traduzem-se no tipo de brinquedos e interesses das crianças. Os rapazes tendem a ser incentivados a brincar, por exemplo, com carrinhos, remetendo-os para ações ativas e do domínio público; às raparigas são geralmente dadas bonecas e utensílios domésticos associados à atividade do cuidado, e mais do foro privado. Estes incentivos que influenciam posteriormente a aquisição de diferentes habilidades têm impacto nas escolhas profissionais, limitando as escolhas da futura carreira.
Assim, ainda persiste que certas áreas mais tecnológicas são vistas como “masculinas”, enquanto áreas ligadas à educação, saúde e à intervenção social, por exemplo, são percecionadas como “femininas”. As primeiras tendem a ser mais valorizadas e mais bem remuneradas, (apesar de muitas das vezes os homens terem menores qualificações), já as mulheres auferem vencimentos muito inferiores, e por vezes para as mesmas atividades profissionais.
Ao estarmos inseridos/as numa sociedade que continua a ser de pendor patriarcal, (apesar das múltiplas diferenças face à situação verificada há décadas atrás), e onde os homens são ainda associados à força, competitividade, segurança, racionalidade e poder, e das mulheres espera-se que sejam sensíveis, emocionais e submissas, tem também como consequência que as mulheres enfrentam obstáculos como a dupla jornada de trabalho, desvalorizando-se as tarefas domésticas e as tarefas de cuidado.
Regressando à paternidade positiva, para além do que dissemos relativamente aos impactos que têm na saúde e no bem-estar das crianças/jovens resultam também numa maior satisfação dos pais. Os vínculos positivos e de proximidade que se estabelecem entre pais e as crianças desde o seu nascimento, e se prolongam na adolescência contribuem para torná-los adultos mais felizes.
Vários estudos na área da Psicologia, referem que os vínculos positivos que se estabelecem desde a infância tornam as crianças menos ansiosas, seguras, confiantes, algumas das características fundamentais para o desenvolvimento emocional. Estas pessoas desde crianças vão sentir-se mais confortáveis com a intimidade e a independência, e têm uma maior auto estima, lidam melhor com as emoções criando relações estáveis.
Por fim, estes momentos de qualidade entre o pai e as crianças/jovens, valorizando-se gestos de carinho, atenção e escuta ativas são fundamentais para fortalecer os seus laços, contribuindo igualmente para o desenvolvimento de atitudes/comportamentos positivos e, consequentemente para um ambiente familiar mais harmonioso, onde as emoções e o afeto são características muito valorizadas. Para além dos efeitos muito positivos que estes vínculos têm nas crianças, o pai desenvolve competências e descobre o seu potencial, fatores relevantes para um sentimento de realização mais consolidado, o que impacta numa sociedade que se espera que seja cada vez mais igualitária.

















