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Mulheres oficiais da Marinha dos EUA temem carreiras limitadas após exclusão da lista de promoções
Washington, 06 jun 2026 (Lusa)
Várias oficiais da Marinha dos Estados Unidos expressaram hoje preocupação com limites às suas carreiras, após o secretário da Defesa ter retirado nove oficiais da Marinha, incluindo todas as mulheres, de uma lista de promoções. As oficiais da Marinha norte-americana consideraram esta “invulgar intervenção” do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, um sinal de que as suas carreiras têm agora um teto, gerando preocupação com a futura geração de mulheres líderes militares.
A Marinha tinha selecionado 31 marinheiros para serem promovidos do posto de capitão para o de almirante de uma estrela, mas Hegseth interveio para retirar nove pessoas da lista, entre as quais três mulheres e dois homens negros, segundo um responsável da Defesa que solicitou o anonimato.
Em resultado, nenhuma mulher vai ser promovida ao posto de almirante de uma estrela este ano, apesar de as mulheres representarem cerca de um quarto do total de oficiais da Marinha dos Estados Unidos e quase um terço dos postos intermédios da força naval, de acordo com dados militares de 2024.
Depois de tornados públicos os cortes anunciados por Hegseth — anteriormente noticiados pelo diário The New York Times —, a agência de notícias norte-americana, The Associated Press (AP), conversou com oito mulheres oficiais da Marinha, com diferentes patentes e tempo de serviço, que solicitaram o anonimato, por receio de retaliação dos superiores hierárquicos.
As oficiais mais jovens afirmaram interpretar este corte como um sinal de que as suas carreiras se tornariam politizadas se subissem demasiado na hierarquia, e algumas disseram que sentiam existir agora um limite para o nível a que poderão ser promovidas. Algumas admitiram que tal as faz sentir menos valorizadas dentro das Forças Armadas, questionando-se sobre se não seria essa a intenção.
O Pentágono não apresentou qualquer justificação para a exclusão das três mulheres, ou de qualquer uma das outras seis pessoas, da lista de promoções. O principal porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, sustentou esta semana nas redes sociais que “as promoções militares são concedidas àqueles que as merecem” e que o Pentágono “nunca considerará a cor da pele de um militar ou o seu género como um fator nas promoções”.
O procedimento da Marinha para escolher os oficiais a promover ao posto de uma estrela tem sido relativamente constante e transparente ao longo dos anos: o serviço convoca um grupo de oficiais, designado como comissão de promoção, que analisa os processos dos oficiais elegíveis e escolhe os mais qualificados.
A comissão que selecionou a lista inicial de 31 oficiais para promoção este ano recebeu instruções do então secretário da Marinha, John Phelan, nomeado pelo Presidente, Donald Trump, para “recomendar para promoção os oficiais mais qualificados dentro das respetivas categorias”.
A ordem de Phelan, que em abril abandonou abruptamente o cargo, indicava que a comissão deveria ter em conta o desempenho, a competência e o caráter de um oficial, entre outras características, como parte dessas qualificações. Indicava ainda que, dada a importância da China na Estratégia de Defesa Nacional do Governo Trump, deveria “ser dada especial atenção aos oficiais que se tenham destacado pelo seu conhecimento dos assuntos político-militares e dos interesses estratégicos dos Estados Unidos na região do Indo-Pacífico, bem como pelo planeamento operacional de contingência para planos de guerra no Indo-Pacífico”.
Há muito que Hegseth defende, sem apresentar provas, que as mulheres beneficiam de tratamento preferencial nas Forças Armadas e não são adequadas para funções de combate. “Durante demasiado tempo, promovemos demasiados líderes fardados pelas razões erradas, com base na sua raça, em quotas de género e nos chamados ‘primeiros históricos’”, afirmou Hegseth perante centenas de líderes militares em setembro.
Essa abordagem, argumentou, tornou o Pentágono “menos capaz e menos letal”. Pouco depois de assumir o cargo de secretário da Defesa, Pete Hegseth já tinha demitido a almirante Lisa Franchetti, a oficial de mais alta patente da Marinha e a primeira mulher a ocupar o cargo, sem nunca fornecer os motivos da decisão. E desde então, demitiu mais duas almirantes de três estrelas sem qualquer explicação.
ANC // MLL Lusa/Fim
Fonte: LUSA
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